Outro dia, dando uma aula sobre algoritmos de próteses auditivas, não pude deixar de comentar que sou da "era jurássica", quando tudo o que precisávamos para regular uma prótese auditiva era uma micro chave de fenda. Com ela, éramos capazes de alterar o ganho, a saída máxima (amplificação máxima) e até a tonalidade da prótese, ou seja, poderíamos deixar o som mais grave ou mais agudo, de acordo com a necessidade do usuário.
Ao longo desses anos, pude acompanhar a evolução tecnológica, desde a chegada do primeiro aparelho digital no Brasil, até os aparelhos disponíveis hoje em dia, com circuitos cada vez mais "inteligentes", capazes de amplificar sons de fala e reduzir ruído como barulhos de trânsito, vozes num restaurante e até ruído de vento. Estes aparelhos também são capazes de "perceber" o risco de microfonia (apito) e proporcionar seu cancelamento.
Acredite se puder, mas eles também analisam o tipo de ambiente que o usuário frequenta, o número de horas que o aparelho é usado por dia e quantas vezes o controle de volume é acionado. Estas informações ficam armazenadas no aparelho e podem ser utilizadas por nós, profissionais, para facilitar a orientação do paciente e favorecer o processo de adaptação.
Parece um sonho? Não é! Claro que isto não significa que "os problemas acabaram". A adaptação de uma prótese auditiva requer muito mais do que uma tecnologia moderna. Ela depende de diversos fatores como o tipo e o grau da perda auditiva, o tempo de privação auditiva, a motivação do paciente, entre outros.
Boa noite!
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
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